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Benefícios da carne bovina

Na opinião popular, as gorduras de origem animal são a principal causa do aumento das doenças cardiovasculares. Parte deste conceito é decorrente de informações distorcidas e exageradas por parte da imprensa, que insiste em perseguir a carne bovina, por parte até mesmo de profissionais desinformados e desatualizados ligados à área da saúde.

De fato, o consumo excessivo de gordura, TANTO DE ORIGEM ANIMAL QUANTO VEGETAL, é um fator de risco para o aparecimento de doenças coronarianas, assim como o fumo, sedentarismo, obesidade, diabetes, pressão alta, altos níveis de colesterol total e LDL-colesterol (lipoproteínas de baixa densidade) e baixos níveis de HDL-colesterol (lipoproteínas de alta densidade) e a associação de um ou mais desses itens. Existem também os fatores de risco que não podemos controlar, que são a idade e a predisposição genética. Então, não podemos responsabilizar apenas o consumo de gordura animal como o causador das doenças cardiovasculares.

O organismo depende de uma alimentação balanceada para seu perfeito funcionamento, porque não existe alimento que contenha todos os nutrientes em quantidade e qualidade necessárias à manutenção da saúde e da atividade diária. A carne bovina, com grande quantidade de nutrientes, com alta disponibilidade e baixo valor calórico, deve fazer parte de uma alimentação equilibrada.

Valle (2000) ressalta que “a carne vermelha é rica em proteínas de alta qualidade, ácidos graxos essenciais, vitaminas do complexo B (tiamina, riboflavina, niacina, biotina, ácido pantotênico, folacina, vitaminas B6 e B12) e minerais como ferro, zinco e fósforo. Todos os nutrientes contidos na carne bovina são de primordial importância na alimentação, destacando-se o ferro. Na carne bovina, o ferro é encontrado na forma heme, de mais fácil absorção pelo organismo humano do que o ferro não heme, disponível nos vegetais, cereais, frutas e ovos. No entanto, por ignorância ou sensacionalismo, informações sobre as carnes vermelhas têm sido veiculadas de forma distorcida e sem o devido respaldo científico. A RESTRIÇÃO DE SEU CONSUMO É MUITO MAIS PREJUDICIAL À SAÚDE HUMANA DO QUE UM CONSUMO MODERADO DESTE OU DE QUALQUER OUTRO ALIMENTO”.

O ácido linoléico conjugado (CLA) é um ácido graxo encontrado apenas em produtos animais, e em maior quantidade nos produtos de ruminantes. O CLA tem se mostrado como anticarcinogênico, antiarterosclerose, antitrombótico, hipocolesterolêmico e imunoestimulatório, atuando no aumento da massa muscular, reduzindo a gordura corporal e prevenindo a diabetes.

A carne bovina é uma excelente fonte de ferro. O ferro é um mineral essencial para diversas funções do organismo. Além de dar suporte ao sistema imunológico, ele forma parte da hemoglobina dos glóbulos vermelhos, responsável pelo transporte de oxigênio no corpo. Este oxigênio é usado para liberar energia do alimento, energia esta utilizada para crescimento, respiração, movimento e demais funções do organismo.

A carne bovina, comparada às demais carnes e a outros produtos de origem animal ou vegetal, tem as maiores concentrações de zinco, com exceção das ostras que possuem altos níveis deste mineral. Este mineral desempenha funções importantes no sistema imunológico.

Juliana Santin destaca as propriedades da vitamina B12 (cobalamina), que é encontrada somente em produtos animais e é necessária para a síntese de DNA, o componente que contém os genes das células. Esta vitamina também ajuda na manutenção dos tecidos nervosos e na formação normal do sangue. Indivíduos com deficiência de vitamina B12 apresentam distúrbios neurológicos. O teor de vitamina B12 na carne bovina é o mais elevado de todas as carnes, ao redor de 2,8 microgramas/100 gramas. São necessárias 8,4 porções (100 gramas) de carne branca de aves ou 5,1 porções (100 gramas) de lombo suíno para proporcionar a mesma quantidade de vitamina B12 disponível em uma porção (100 gramas) de carne bovina (21).

Então, coma sem culpa. Se não for pelo CLA, pelo ferro, zinco ou pela vitamina B12, que seja pelo SABOR da carne vermelha!

Renata Ramalho

Fontes consultadas:

LOBATO, J.F.P.; FREITAS, A.K.; Carne Bovina: Mitos e Verdades. Pecuária Competitiva, FEDERACIT, 2006. 128p.

VALLE, E.R. Mitos e realidades sobre o consumo de carne bovina. Embrapa Gado de Corte. Documentos. 2000, 33p.

Vitamina b12 e cognição em idosos. Disponível em: http://www.beefpoint.com.br/vitamina-b12-e-cognicao-em-idosos-parte-12_noticia_63717_15_116_.aspx


Por que condená-la?

O ser humano sempre consumiu carne. De acordo com o estudo das arcadas dentárias, nossos ancestrais introduziram a carne em sua dieta há cerca de dois mil anos atrás. O alto valor calórico da carne e a riqueza de seus nutrientes possibilitaram o desenvolvimento cerebral da espécie humana. Dificilmente o homem conseguiria nos vegetais o aporte de nutrientes e energia para possibilitar a sua evolução.

De acordo com Licinia de Campos, “a carne supriu os primeiros humanos não somente com todos os aminoácidos essenciais, mas também com muitas vitaminas, minerais e outros nutrientes necessários, permitindo que fizessem uso marginalmente dos vegetais de baixa qualidade, como raízes, alimentos com poucos nutrientes, mas com muitas calorias. Estas proteínas, em conjunto com os carboidratos energéticos, complementaram a expansão do cérebro humano e, além disso, permitiram que os nossos ancestrais aumentassem de tamanho corporal, permanecendo ativos e sociais”.
A seleção natural favoreceu àqueles que caçavam mais, comiam mais e armazenavam, sob forma de tecido adiposo, toda energia ingerida em excesso, para épocas de escassez de alimento.

O homem, em tempos mais modernos, onde já não há mais escassez de alimento, nem o hábito da caça, passou apenas a armazenar energia, vindo então a conhecer a obesidade, diabetes e infartos.



A moda vegetariana e a valorização da vida campestre fizeram cair sobre a carne vermelha toda culpa pelos crescentes casos de infartos aquela época.
No início do século XX, houve a descoberta de placas obstrutivas, com presença de colesterol livre e esterificado, nas artérias como causadoras dos infartos. Logo em seguida, com o avançar das pesquisas, concluíram que existe um “bom” e um “mal” colesterol. Dividem-se, então as gorduras como "boas" (insaturadas, derivadas principalmente dos vegetais e dos peixes) e "más" (saturadas, como as da carne vermelha e dos derivados de leite) e crucificaram, não só a carne vermelha, mas também toda produto de origem animal. Mas as pesquisas da época não podiam concluir tudo o que começou a ser apregoado contra a gordura animal.

Porém, um experimento de Harvard, envolvendo 50 mil enfermeiras, durante 20 anos, pode concluir que:

1) Dietas ricas em gorduras monoinsaturadas (como o óleo de oliva) reduzem o risco de doença cardíaca;

2) Dietas ricas em gorduras saturadas (como a carne vermelha) aumentam muito pouco o risco de doença coronariana, quando comparadas com dietas ricas em carboidratos, como pão, macarrão e doces. Outra surpresa dos cientistas foi a constatação de que as gorduras presentes na margarina são bem menos saudáveis do que as contidas na manteiga.

Muito embora tenha havido queda dos índices de mortalidade por doenças cardíacas, desde o início dos anos 70, que foi atribuída aos novos hábitos alimentares dos americanos, quando as recomendações oficiais recomendavam a diminuição do consumo de gordura animal, o The New England Journal of Medicine, em 1988, os autores atribuem essa queda à melhora dos cuidados médicos no tratamento, não à redução do número de casos da doença.

Gary Taubes, um dos editores da revista Science, em 2001, afirmou que a convicção de que gordura na dieta mata, não passava de um dogma.

A recomendação de uma dieta pobre em gordura animal pode levar a uma dieta rica em carboidratos, como compensação para as calorias, o que pode levar ao aparecimento de diabetes pelos predispostos.

Não precisamos mais condenar os bovinos. Pesquisas recentes apontam para os benefícios do consumo moderado da carne bovina. É o fim da desinformação! Médicos atualizados já não proíbem seu consumo. Relatórios da FAO apontam para um aumento crescente da produção de carne bovina para atender a demanda mundial.

Consuma moderadamente, sem culpa!

Renata Ramalho
Fontes:

VARELLA, D.; Os prazeres da carne vermelha. Verdade Ancestral. Gazeta mercantil – caderno fim de semana de 3/agosto/2001, disponível em: www.drauziovarella.com.br/artigos/carne_introdução.

Papel do consumo da carne na cognição humana:
http://www.beefpoint.com.br/?noticiaID=64108&actA=7&areaID=15&secaoID=156