Mostrando postagens com marcador Derrubando mitos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Derrubando mitos. Mostrar todas as postagens

A carne e o câncer


Muitos estudos têm associado o consumo de carne ao aparecimento de câncer. Mas a verdade é que na carne (ao sair do frigorífico até o momento do preparo) NÃO EXISTE nenhuma substância que provoque câncer... O perigo começa quando ela chega à sua cozinha.

 Existem substâncias que se formam no ato do cozimento que podem, quando consumidas em excesso, provocar câncer, as principais são os hidrocarbonetos e as aminas heterocíclicas.

          Os hidrocarbonetos liberados pelo carvão no momento da queima ficam impregnados na carne e são altamente cancerígenos. Durante o processo de assar a carne na brasa, a gordura é pirolisada pela ação da chama direta na peça, assim como pelo calor do carvão, gerando os hidrocarbonetos carcinogênicos. Os hidrocarbonetos aromáticos policíclicos, que passam a compor a fumaça gerada, são absorvidos e se depositam na camada mais externa da carne. 

            Aminas heterocíclicas são substâncias mutagênicas e carcinogênicas e que são encontradas em carnes e peixes assados, na fumaça do cigarro, do escapamento dos automóveis, na cerveja e no vinho. Sua formação ocorre pela pirólise de certos aminoácidos, entre os quais triptofano, lisina, ácido glutâmico e fenilalanina, ou pela reação entre creatinina e os produtos da Reação de Maillard. Encontrada em alimentos ricos em proteína submetidos a altas temperaturas, sua formação aumenta com o aumento da temperatura e tempo de cozimento.

Os riscos que as aminas heterocíclicas podem oferecer dependem de alguns fatores como o tipo de carne, a quantidade da carne e a frequencia de consumo, métodos de cozimento, temperatura e tempo de exposição, presença e quantidade dos precursores das aminas heterocíclicas.

 

Como diminuir os riscos:

 

Quanto maior a temperatura e o tempo de exposição a essa temperatura, maior será a formação das aminas heterocíclicas, ou dos hidrocarbonetos no caso de churrasco provenientes da queima do carvão. Devemos optar por comer a carne ao ponto, nunca tostada, com aquela crostinha escura.

 

O preparo com calor úmido (ensopados) promove menor formação de aminas heterocíclicas do que o preparo no calor seco (assados, grelhados e churrascos).

 

Cozimento no microoondas por 3 minutos, antes do preparo normal da carne (grelhar, cozinhar, etc), também ajuda, porque grande parte dos precursores das aminas heterocíclicas é perdida no exsudato. Só me questiono sobre a viabilidade culinária desse procedimento.

 

           Marinar a carne com suco de limão ou suco de outra fruta, alecrim ou outras ervas, impede a formação de aminas heterocíclicas em até 85 %, pela ação antioxidante da vitamina C.

 

           Evite o uso de molho de soja na carne, porque aumenta a formação de aminas heterocíclicas.

 

          E pra quem é tão carnívoro que acha que “se comer salada fosse bom, haveria rodízio”, saiba que os legumes e verduras são nossos grandes aliados, porque possuem substâncias anticancerígenas. O carotenoide do tomate, o alho e a cebola também diminuem a formação das aminas heterocíclicas.


        Mas ninguém precisa ficar alarmado e deixar de comer carne, porque a abstenção do consumo pode privar o organismo de proteínas de alto valor biológico, zinco, ferro de alta biodisponibilidade e vitaminas do complexo b. O nosso organismo possui a habilidade de corrigir os possíveis danos causados por essas substâncias, só não podemos consumir em excesso para não extrapolar o limite que o nosso organismo tem de lidar com esses danos. E lembrar de ter uma dieta equilibrada, com legumes, verduras e frutas. Além disso, a própria carne possui um anticarcinogênico e anticancerígeno natural: o CLA (ácido linoleico conjugado).

 

            Bem, já que carnes mal passadas tem menor risco da formação das aminas heterocíclicas, mas têm o risco de contaminação por microorganismos, bom mesmo seria se nós pudéssemos comer a carne fresquinha, in natura, assim:





 

Fontes:

 

A Reação de Maillard nos Alimentos e Medicamentos. Aderson de F. Dias.

MARQUES, A. C.; VALENTE, T. B.; ROSA, C. S. Formação de toxinas durante o processamento de alimentos e as possíveis conseqüências para o organismo humano. Rev. Nutr. vol.22 no.2 Campinas Mar./Apr. 2009.

 

O boi e a emissão de gás metano

Nesses tempos onde há grande preocupação com a preservação do planeta, a pecuária precisa se adequar. Além do desmatamento para implantação de sistemas agropecuários, o metano (CH4) liberado através de eructação pelos bovinos é outro grande problema que merece atenção por parte de pesquisadores.


Os animais ruminantes (bovinos, caprinos, ovinos) possuem um estômago dividido em quatro compartimentos. O primeiro deles, o rúmen, é habitado por microorganismos vivendo em simbiose: o animal fornece habitação, com temperatura e pH adequados e alimento, enquanto que os microorganismos fermentam alimentos fibrosos (proteína de baixo valor biológico), transformando-os em proteínas de alto valor biológico e as disponibilizam para o animal. Essa fermentação produz ácidos graxos voláteis: ácido acético, propiônico e butírico. A produção de metano (CH4) ocorre porque estes microorganismos removem os íons H+ produzidos no rúmen , evitando a intoxicação.

O metano é um dos “gases do efeito estufa” (GEE). A capacidade que o metano tem de reter o calor atmosférico é 20 vezes maior que o gás carbônico. Mas não crucifiquemos o “arroto” do boi, porque ele não é o único vilão do aquecimento global. As queimadas, o desmatamento, a emissão de dióxido de carbono (CO2) pelas indústrias e automóveis é quatro vezes maior que a emissão de metano produzida pelos bovinos.

Veja na figura a parcela de culpa de algumas ações antrópicas (realizadas pelo homem):



Observando estas fontes globais de emissão de metano, pense bem: se você não come carne de boi por causa das emissões pelo animal (fermentação entérica), também não deveria comer arroz, sem falar na emissão de metano pelo seu esgoto doméstico...



Muitas pesquisas vêm sendo realizadas para tentar manipular o ambiente ruminal e diminuir as emissões deste gás. Buscam-se também animais com capacidade de ganhar peso com mais eficiência, porque quanto mais eficiente um animal for à conversão do alimento em peso corporal, menos metano ele emitirá.

O Instituto de Zootecnia/APTA em Nova Odessa, São Paulo, utiliza o gás traçador hexafluoreto de enxofre (SF)6 para determinar a emissão de metano entérico. Uma cápsula dosadora do gás é colocada no animal, como canga e cabresto, que absorve os gases expirados que posteriormente são analisados por cromatografia gasosa em laboratório especializado da EMBRAPA Meio Ambiente, em Jaguariúna.

A Uenf (Universidade Federal do Norte Fluminense Darcy Ribeiro) também realiza pesquisa semelhante.



E existe ainda um outro fator que retira os bovinos do banco dos réus do efeito estufa: as pastagens realizam sequestro carbono. Existem estimativas de que as pastagens brasileiras sequestram cerca de uma tonelada de carbono por ano por cada hectare.

Apesar da pecuária não ser a grande vilã do efeito estufa, existem inúmeros esforços na direção de se diminuir ainda mais as emissões dos GEE por parte dos bovinos.

Portanto, podemos comer sem culpa!

Carne bovina não é difícil digestão

Tem muita gente que não come carne vermelha porque acredita que ela é de difícil digestão e leva dias para ser digerida.

A confusão está no conceito errado sobre digestibilidade, que se refere à proporção de nutrientes do alimento que será absorvido pelo organismo. Outro conceito é o tempo de retenção do alimento.

A verdade é que a carne bovina, assim como outros alimentos protéicos, permanece no estômago por mais tempo do que outros tipos de alimentos (como frutas e hortaliças, por exemplo). Isso é vantajoso, porque dá sensação de saciedade por mais tempo. Mas o processo digestivo da carne leva apenas de 3 a 8 horas (e não dias), para se completar.
Vários pesquisadores encontraram valores de digestibilidade para a carne magra em torno de 93 % e a digestibilidade da fração proteica variando de 95 % a 100%.

É bem "digerível", não?